BLUEFIN
20 de junho de 2012
FRUGALISTAS EM AÇÃO
20 de junho de 2012

Está cada vez mais tênue a fronteira que separa o ambiente de negócios do universo dos empreendedores sociais. As empresas mais avançadas já entenderam que seu sucesso no longo prazo depende de quanto agregam de varável social em sua equação de ganhos. Esse processo abriu caminho para a criação de alianças entre empresas e empreendedores sociais, cujo trabalho conjunto tem o potencial de gerar mercados e redefinir setores de atividade inteiros, ao mesmo tempo que procura resolver problemas mais relevantes da humanidade: como pobreza, poluição, fome e desigualdades.

Michael Porter, especialista em marketing, afirma que “as empresas perceberam que os empreendedores sociais oferecem novas oportunidades de gerar ganhos, porque funcionam como uma via de acesso aos grandes mercados do mundo”.

Relatório mundial divulgado pelo instituto Global Entrepreneurship Monitor (GEM) em 2009 mostra que quase 2% da população adulta está envolvida em alguma atividade social, em áreas que vão de educação e desenvolvimento econômico à preservação do meio ambiente. “Os empreendedores sociais estão influenciando as companhias no que se refere à eficiência, produtividade, tamanho,alcance e liderança”, afirma Bill Drayton, fundador da Ashoka, maior associação de empreendedores sociais do mundo. Pouco faladas há uma década, as chamadas empresas híbridas, que combinam o modelo filantrópico com a busca de lucros, estão cada vez mais comuns nos EUA, Europa, Ásia e América Latina.
      
Para Porter, a criação de valor compartilhado impulsionará a próxima onda de crescimento global. Enquanto as empresas contribuem com sua experiência em produção, capacidade de gerar escala e gerenciamento de operações e finanças, os empreendedores colaboram com os baixos custos, as fortes redes sociais e o amplo conhecimento de suas comunidades e potenciais clientes.
     
O caso Grameen Danone é um exemplo do que Drayton e Porter apontam como elemento fundamental do novo paradigma econômico. Bangladesh é um dos países mais pobres do mundo, 845 da população vive com menos de US$ 2 por dia; 565 das crianças menores de 5 anos sofrem de desnutrição de moderada a severa.  Em 2006, a Danone e o Grameen Group, se uniram para criar o Grameen Danone Foods, cujo objetivo é fabricar iogurtes fortificados para as crianças.
O produto também é projetado para melhorar a qualidade de vida de todos os participantes da cadeia de valor: o leite é comprado de pequenos produtores da região; iogurtes são comercializados de porta em porta e, a custo baixo, por mulheres da comunidade; e a energia usada na produção é solar.