A BOA FASE
24 de março de 2013
KEY PIECE
24 de março de 2013

O processo de migração interna na China, que deslocou 21 milhões de pessoas do campo para as cidades em 2012 está transformando o perfil dos consumidores chineses. Antes autossuficientes, essas pessoas agora precisam de produtos industrializados para viver, o que abre um leque de oportunidades para empresas do mundo todo. Para o Brasil, um ponto positivo: a maioria dos novos consumidores chineses não foi seduzida por marcas tradicionais americanas ou europeias e não podem pagar em artigos de grife. Por isso, o frigorífico Marfrig lançou, em junho do ano passado, a Seara no mercado chinês, tornando-se a primeira empresa brasileira do ramo alimentício a investir no país.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) criou o grupo Brazilian Footwear, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) para ganhar mercado. Segundo o coordenador de projetos da Abicalçados, Cristiano Korbes “os chineses tem muita curiosidade em relação ao Brasil e isso favorece a venda dos nossos produtos”.

A exploração de estereótipos relacionados à cultura brasileira, como o tripé samba-carnaval-alegria, deve ser aproveitado pelas empresas nacionais na Asia. Para vender na China, a busca por um parceiro local é o caminho mais recomendado. Em geral, são os distribuidores chineses que assumem esse papel. O importante, contudo, e conhecer previamente o mercado e alinhar a estra-tégia asiática à brasileira. A apresentação adequada dos produtos também é crucial.

Grandes centros como Pequim, Xangai, Guangzhou e Shenzhen são desenvolvidos e aceitam bem os produtos de mercados estrangeiros. O país tem 26 províncias, com traços culturais bastante distintos. Em Xangai, fazer compras é uma atividade prazerosa e já faz parte do lazer das pessoas, enquanto em Pequim, o trânsito é caótico e o comércio online torna-se uma alternativa mais eficiente. Algumas marcas internacionais preferem lançar produtos em pontos mais discretos, como regiões de segundo e terceiro porte, como Jinan, Dandong, Hangzhou, Zhuhai.
 
Entre os segmentos mais promissoras estão as mulheres, os idosos, os bebês e a internet.