RUPTURAS – BENEFÍCIOS?
8 de novembro de 2011
PROPENSÃO A COMPRAS
8 de novembro de 2011

A cada três anos, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) compara o desempenho de estudantes na faixa de 15 anos em todo o mundo. E os coreanos estão entre os melhores em matemática, ciências e leitura. O segredo são as horas de dedicação, inclusive nas férias, e a pressão dos pais. A cobrança vem desde a década de 50, quando, após a Guerra da Coréia, o PIB per capita era um dos menores do mundo e o acesso a educação era restrito. Em 1945, apenas 22% dos coreanos sabiam ler e escrever.

Os tempos mudaram. A primeira grande ação aconteceu entre 1954 e 1959, quando o ensino elementar passou a ser obrigatório. Hoje, das 5855 escolas de ensino elementar, 5761 são públicas e a taxa de analfabetismo no país é de apenas 1%. Até chegar a faculdade, o aluno coreano passa por 12 anos de aulas. Similar ao Brasil, com uma diferença: o estudo vai de 8h às 23h.  O tempo médio gasto por dia entre as crianças do ensino primário com aulas extracurriculares é de 3 horas.

Atualmente, 83,8% dos coreanos que terminam o colegial vão para a faculdade e continuam a se dedicar integralmente aos estudos. A cada ano, cerca de 10 mil estudantes recebem o título de PhD. No Brasil, apenas 11% da população entre 25 e 34 anos tem curso superior, contra 58% da Coreia.

Há um debate hoje na Coreia sobre os limites do rígido sistema de educação e os efeitos negativos desse ambiente competitivo. Entre os membros do OCDE, o país tem a mais alta taxa de suicídio, com 21,5 em cada 100 mil habitantes. O número vem crescendo, já que em 2008 a taxa era de 13,5 para cada 100 mil. A nova onda do ensino coreano é investir em currículos multidisciplinares, além da preocupação em ter cursos mais globalizados. Há ainda um investimento mais forte em pesquisa de base, etapa que a Coreia havia pulado.