VIAJANDO E GASTANDO
21 de julho de 2011
A BASE DE TUDO
21 de julho de 2011

A nova classe média é a grande vedete da economia brasileira, mas as classes que mais cresceram em proporção foram as A e B. Hoje, são 20 milhões de ricos no Brasil, podendo chegar a 30 milhões em 2014. “É como se todo mundo tivesse sendo empurrado para cima”, explica Marcelo Neri, da FGV, que realizou estudo entre 2003 e 2009. Quase 7 milhões de brasileiros romperam a fronteira da alta renda, que é definida por famílias que ganham de R$ 6.941 a R$ 9050 como B e acima de R$ 9050 como A. O crescimento da classe A foi de 41%, seguido da B, com 38%. A Classe C cresceu 34%.

Este cenário dá a chance para o País de recriar as bases do capitalismo. Agora, os limites das classes estão sendo redefinidos e as oportunidades de ascensão nunca foram tão marcantes. Paralelamente, há desafio de decifrar os desejos e anseios desse batalhão de consumidores.

Atualmente, as classes A e B são responsáveis por um consumo anual de R$ 930 bilhões em produtos e serviços. Porém, os ricos não são tão ricos assim. Entre eles, quase 80% ganham até R$ 16 mil. O que provavelmente gerará nos próximos anos uma combinação de dois movimentos: mais gente sendo alçada da classe média para as classes mais  altas e um enriquecimento das pessoas que compõem a elite.

Recentemente, a Exame encomendou a consultoria Cognats Geomarketing, um estudo sobre as estruturas familiares e de domicílios mais comuns entre a população das classes A e B. O estudo identificou 8 milhões de pessoas em famílias nomeadas de “casal moderno maduro”. Uma característica marcante desse grupo é o fato de ter poucos filhos. Outros 4,2 milhões estão no grupo batizado de “família moderna”, onde ambos trabalham, têm filhos com menos de 18 anos e ambos têm menos de 45 anos. As “famílias tradicionais” (cerca de 1,2 milhão), em que só um trabalha, têm tido dificuldades de se manter no topo. Há, ainda, o “solteiro com filho adulto” que representam 1,8 milhão. Dentro da categoria “outros” estão 4,8 milhões de pessoas.

Os números referentes ao potencial de consumo das classes A e B impressionam e mostra uma realidade ainda nova no Brasil. Enquanto parte dos consumidores recém-chegados à alta renda tenta incorporar os códigos da elite tradicional, outros tiveram a autoestima reforçada e passaram a impor seus valores e suas vontades.