Rio Quente terá duas operadoras, para o Nordeste e a Classe C (2009)

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O Rio Quente Resorts, complexo de turismo conhecido pelas águas termais na cidade goiana de mes­mo nome, fez investimentos nos últimos anos para atrair mais visi­tantes. Desta vez, quer abocanhar uma fatia maior do mercado de viagens com outro negócio. Lança nesta semana duas operadoras de pacotes turísticos com produtos voltados para o Nordeste e tam­bém para a classe C.

O Rio Quente Resorts já é dono da Valetur, operadora que só ven­de pacotes de viagem para o pró­prio complexo. O plano, agora, é expandir esse negócio com duas novas marcas, Valetur Plus e Hot Tur. “Vamos segmentar os públi­cos. A Valetur Plus será especializa­da em pacotes com preços seme­lhantes aos do Rio Quente e a Hot Tur terá produtos voltados para a classe C, mais acessíveis”, diz Ma­noel Carlos Cardoso, diretor de marketing da companhia.

Especificamente para a classe C, que reúne cerca de 100 milhões de brasileiros com renda entre R$ 912 e R$ 1,4 mil, a empresa mon­tou pacotes para Caldas Novas (GO), a 30 km de Rio Quente. A viagem com três noites de hospe­dagem na cidade sairá por R$ 698 por pessoa, incluindo o bilhete aéreo e um passe de um dia no parque aquático do Rio Quente Resorts. Em comparação, um pa­cote de apenas três dias dentro dos hotéis do complexo e acesso irrestrito ao parque custa R$ 1,8 mil por cabeça. Segundo Cardoso, as operado­ras também vão oferecer outros lo­cais no Brasil, a começar pelo Nor­deste. “Por enquanto teremos pa­cotes para dez destinos na região.”

O investimento inicial para ex­pandir a operadora, segundo o executivo, foi de R$ 1 milhão. O plano é faturar R$ 2 milhões neste ano e R$ 10 milhões em 2010 — os montantes incluem os preços que serão repassados às companhias aéreas, hotéis e serviços terrestres que fazem parte dos pacotes, mais o lucro da operadora.

“Esse mercado tem espaço su­ficiente para uma nova concor­rente de peso e queremos fazer parte dele”, diz Cardoso.
As operadoras de viagem brasi­leiras movimentaram R$ 6,3 bi­lhões em 2008, segundo a Braztoa, associação que reúne 75 dessas empresas. O mercado é dominado pela CVC. Embora não existam nú­meros públicos de participação das empresas, calcula-se que a CVC sozinha responda por 90% de to­dos os voos fretados no país. Em 2008, ela transportou 1,8 milhão de pessoas — no Rio Quente, por exemplo, o público total do ano passado foi de 1 milhão.

Segundo Cardoso, uma das ar­mas das operadoras do Rio Quente será o bom relacionamento com agentes de viagens. Segundo ele, as lojas próprias que funcionam com o nome de Valetur estão sendo fe­chadas para que as vendas só ocor­ram através das agências.

No caso da CVC, a operadora tem cerca de 370 lojas próprias (incluindo franquias), além de oito mil agentes credenciados. “Às vezes existem conflitos com algumas operadoras, porque os franqueados dão descontos e os agentes, não. Mas sempre senta­mos para conversar corri as em­presas e buscar igualdade de condições”, diz Leonel Rossi, di­retor da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav).

O Rio Quente também aposta que vai alcançar uma escala de vendas suficiente para que consi­ga fretar mais aviões — as compa­nhias aéreas escolhidas são Azul e, principalmente, TAM. O fretamento de voos éarriscado por­que é caro e dá às operadoras a responsabilidade de encher to­dos os assentos. Por isso são pou­cas empresas que alugam as ae­ronaves com regularidade. O ou­tro lado é que o aluguel de aero­naves dá mais flexibilidade e poder de barganha com hotéis e outros fornecedores.

Em 2008, o Rio Quente obteve receita líquida de R$ 117,8 mi­lhões, 19% maior do que em 2007. O lucro líquido, por sua vez, subiu 68%, para RS 9,7 milhões. O com­plexo tem dois sócios com parti­cipações iguais de 50%: o grupo mineiro Algar e a Gebepar.